JARDIM COLOMBO, EM SP, TEM ZERO MORTES POR COVID-19

Atualizado: Out 9

Como a comunidade se organizou em um modelo de gestão horizontal e multicomunitário para enfrentar a pandemia.



Doação Avenues Milnutri.


O Jardim Colombo, na zona oeste de São Paulo, é uma comunidade vibrante e dinâmica, mas com diversas carências. Desde março, com a chegada da pandemia do Covid-19 no Brasil, a comunidade, formada por cerca de 15 mil habitantes, e que tem como grande diferencial seu modelo de governança de gestão horizontal e multicomunitário, vem alcançando bons resultados no combate ao vírus. O sucesso foi graças ao Fazendinhando, um movimento de regeneração territorial com desenvolvimento cultural, educacional e social no Jardim Colombo, feito por e para os moradores, em parceria com a União dos Moradores do Jardim Colombo. O movimento é liderado por Ester Carro, arquiteta e urbanista social que, com apenas 25 anos, já muda a história da Comunidade onde nasceu e vive, apoiada por seu pai, Ivanildo de Oliveira, líder comunitário e presidente da União dos Moradores. O Fazendinhando surgiu no final de 2017 com a missão de transformar um lixão em parque, já que a comunidade não possui nenhuma área verde comum, dando início à construção do Parque Fazendinha. O parque, ainda em obras, já proporcionava, além da área de convivência, atividades aos moradores. Com a chegada da pandemia, as obras e atividades tiveram que parar respeitando o isolamento social e o movimento deu início às ações de suporte às famílias diante da situação de vulnerabilidade de muitas delas.



Doação de roupas CasaCor e By Kamy.


Entre as ações que aconteceram nesses 4 meses estão a distribuição de mais 25.000 cestas básicas com kits de higiene, mais de 23.000 marmitas e 7000 cestas de hortifrútis, estas em parceria com o projeto Campo Favela que levou a produção de pequenos produtores que também sofriam com as baixas vendas para comunidades carentes. Diversos outros itens arrecadados como fraldas, leites, livros, brinquedos, roupas, foram destinados aos seus moradores.


Doações: Cestas Santo Américo, Avenues Milnutri, Cestas Itaú Social  e Kit Livros Itaú Social e Cidade Solidária.


Vários fatores contribuíram para a organização e sucesso das ações: a rápida construção de uma forte rede de voluntários da própria comunidade que ajudaram desde o cadastramento casa a casa das famílias, o que garantiu o socorro àquelas realmente mais necessitadas, até as distribuições, que tinham o desfio de ser rápidas, eficientes, sem aglomerações, com o máximo de transparência sobre os critérios utilizados para as escolhas das famílias. O cadastro foi coordenado por um estudante de Saúde Pública da USP, morador e membro ativo do Fazendinhando. Esse mapeamento do Jardim Colombo será de grande valia para um mapeamento profundo sobre a comunidade e, assim, gerar futuras ações de acordo com as necessidades e características encontradas. Além dos esforços relacionados às doações, a comunidade esbanja um dado importante: até o momento, não há registro de mortes por coronavírus no Colombo. Sucesso esse devido à parceria estreita com a UBS local e com a presença e participação ativa do SAS, uma associação social sem fins lucrativos que faz ações na área da saúde e colocou uma equipe exclusiva dentro da comunidade para fazer o atendimento e orientação às famílias, remotamente por telemedicina e nas casas, caso houvesse necessidade. Esse serviço foi amplamente divulgado nesses meses para que a comunidade soubesse recorrer às equipes médicas na hora correta. Paralelo a estas ações, o Fazendinhando capitaneou a participação das mulheres costureiras que produziram mais de 190 mil máscaras distribuídas gratuitamente como parte do projeto Heróis Usam Máscaras, uma ação conjunta do Bradesco, Itaú e Santander, com concepção do Instituto BEI, para viabilizar a produção do acessório de proteção ao coronavírus e geração de renda às costureiras das comunidades.



Doação cestas Campo Favela.



Doação de Marmitas Itaú Social e Máscaras "Heróis usam máscaras".


Foi também em meio a tantos desafios que novos projetos surgiram nos últimos meses, como o Fazendeiras e o Fazendolar. O primeiro irá preparar as mulheres do Jardim Colombo para atuação na cozinha e na construção civil e o segundo irá conectar estudantes de arquitetura, engenharia, design e áreas afins com o Jardim Colombo, registrando o seu contato com a comunidade por meio de desenhos, fotografias, vídeos, textos, poesias, integrando assim a cidade formal com a cidade informal. Dessa forma, o movimento Fazendinhando sai fortalecido e passa a ter três projetos fundamentais: Parque Fazendinha, Fazendeiras e Fazendolar. Mais informações sobre o Fazendinhando, clique aqui.

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